Os boxers dele já tinham secado. Como é que eu sabia? Estava a senti-los. Não os mudei, claro! Não tinha coragem para tal coisa.
Apenas o conhecia à dois dias. Mas algo me dizia que o conhecia à anos.
Acordei e virei-me para ele. Dei de caras com ele a sorrir-me com aqueles dentes branquíssimos! Assustei-me e voltei a virar-me. Não sei se percebeu ou não, mas pouco importava.
- Ahhhh! – Queixou-se de dor. Da pancada que levara na cabeça.
Eu virei-me logo e disse-lhe:
- Pára quieto! Ainda ficas pior!
- Estás muito mandona hoje. – Sorriu – Dormiste comigo?
Era lógico que eu o tinha feito. Mas não queria nada que ele soubesse. Porque iria ficar convencido que já me “tinha no papo”.
- Não… Vim aqui à noite ver como estavas. – Menti. – E voltei a pouco mas adormeci mesmo agora.
- Está bem! – Riu-se.
- Qual é a piada? – Levantei-me e fui em direcção à janela para afastar os cortinados para os raios de Sol iluminarem o local. O Sol estava meio escondido no meio das nuvens e estas anunciavam chuva.
- Nenhuma. – Contestou.
- Vou chamar o Eric para ter vir ajudar a meter na banheira e ajudar-te a vestires-te. – Avancei para a porta.
- Porque não o fazes tu? – Atreveu-se.
Que lata! Para além de ser um convencido de primeira, também atrevido e provocador! Eu detive-me, mas não sabia o que responder.
Abri a porta e sai.
A casa era muito bonita tanto no exterior como no interior. Eu amava passar ali o resto da minha vida pois adorava o quintal. Era bastante grande e a relva era muito fofinha.
O que estava eu a pensar?! Logo voltei a realidade. E descalça, só com uma camisa dele no corpo dirigi-me à sala, sem contar com a roupa interior.
Lá estavam os dois nos meles. Tentei não interromper mas com o nervosismo fiz barulho. A Marie olhou para mim com cara de “Porque é que estás com a roupa dele?! O que aconteceu?”. Apenas lhe virei o olhar.
- Eric… - Chamei.
- Sim?
- Podes ir ajudar o Jason a tomar banho e a vestir-se?
A Marie começou-se a rir. E eu semicerrei os olhos e fiz cara de desentendida.
- Posso. – Beijou a Marie e dirigiu-se para o quarto.
- Conta-me tudo! – Agarrou-me no braço e sentou-me a sua frente no sofá.
- Não há nada para contar.
- Como não há? Porque andas em camisa? – Riu-se.
- Porque as minhas roupas estavam encharcadas! E de noite mudei.
- Dormiste no quarto dele? Na cama dele? – Riu-se à gargalhada.
- Não dormi com ele! Apenas o supervisionei pela pancada que levou. – Estava a perder a paciência.
- Gostas dele?
- Não gosto dele! – Resmunguei.
- Pronto. – Continuou a rir-se.
- Tens roupa para mim? – Perguntei ainda amuada.
- Tenho comprei hoje de manha. Está no quarto de hospedes.
Dirigi-me para lá. O quarto de hospedes ea totalmente diferente do quarto do jason.
Em cima da cama estava uns calções pretos e um top branco comprido. Vesti-me e sai do quarto.
Para meu espanto – ou não – entrei na cozinha e vi o Jason a fazer o pequeno almoço.
O que estaria a acontecer? Ele estaria melhor?
Sentei-me e ele brindou-me com o seu melhor sorriso, ou o melhor que já tinha visto até agora.
Trouxe-nos café e tostas para a mesa. Eu estava com a Marie e com o Eric.
Eu ignorei e comecei a comer. Comi sempre sem olhar para ele.
Acabei de comer e recebi uma chamada no telemóvel novo. Para não variar era da minha mãe – não sei como conseguiu o meu numero novo – atendi.
- Sim mãe?
- Sim mãe!? Essa é a maneira de saudar uma mãe preocupada?!
- Desculpa… - Todos olhavam para mim.
- Preciso de ti em casa, agora!
- Ok, vou já…
- Não é vou já, é agora.
- ESTÁ BEM! –Gritei desligando o telemóvel.
- Jason, posso falar contigo? A sós?
- Claro. – Pegou-me no braço e puxou-me para o quarto.
- Diz. – Elevou-me o queixo com a mão.
- Porque é que te tentaram matar?
- Não sei, mas hei-de descobrir. – Olhou-me pensativo.
- Hmm.
- Olha… Pronunciou sendo interrompido.
- Desculpa tenho de ir a casa. Volto assim que puder.
Sai e peguei num carro que estava à porta.
Dirigi-me para casa. Abri a porta e dirigi-me à sala.
Estava a minha irmã de 15 anos chamada Malina e a minha mãe, sentada no sofá.
- Olá irmã. – Saudou-me ironicamente.
Eu apenas ignorei.
- Mãe porque tive de vir? – Perguntei-lhes.
- Vais para uma escola em Paris. – Disse-me friamente.
Fiquei chocada! Porque iria?!
O quê? – Perguntei admirada.
- A tua irmã quer Artes e como sabes vai entrar no 10º ano. Aqui não há Artes por isso vão morar com a Avó durante este ano escolar.
Sentei-me.
- O que?! Porque e que eu não posso ficar cá? E a menina linda ir? Se já la passou o verão…- Resmunguei.
- Não há mais discussões, vão e acabou! – Gritou-me.
Sai de casa, estava a chover. Comecei a correr pela rua fora. Estava demasiado zangada.
As lágrimas vieram-me aos olhos, eu não queria separar-me da Marie, nem do Eric, nem do … Jason.
Peguei no telemóvel – estava a molhar-se – e telefonei primeiro ao Jason.
- Estou? –Saudou-me
- Jason? Vem ter comigo! –chovia muito, estava encharcada.
- Onde estás?
- Ao pé da gelataria. – Desliguei.
Passaram-se 10 minutos e ele apareceu. Correi para ele e abracei-o de forma a prender as minhas pernas na cintura dele. Segurei a cabeça dele com as duas mãos e disse-lhe:
- a minha mãe quer-me levar para Paris, para outra escola! Vamos fugir?
- Estas louca, miúda!
- Eu não quero ir. Por favor.
- Vamos a minha casa falar com eles e já resolvemos isso!
Sorri-lhe. E no meio da chuva que caia em cima de nós, ele beijou-me.
Com tudo o que ele me tinha feito e com tudo o que se tinha passado, quereria eu fazer aquilo?
Com tudo o que ele me tinha feito e com tudo o que se tinha passado, quereria eu fazer aquilo?
Nenhum comentário:
Postar um comentário