Não! Claro que eu não queria! Agora percebo quando dizem “estás a fazer isso de cabeça quente”-
Eu estava apenas a usá-lo porque ele mostrava gostar de mim, Aquela, sem duvida não era eu.
Eu apenas precisava de alguem para me apoiar. E ele estava lá.
Olhei-o. Talvez aquela não fosse a minha realidade. Voltei à minha realidade e disse:
- Tenho de ir. Falo-te mais tarde! – Comecei a correr para casa.
Ele ficou confuso. Eu não quis saber. Porque é que eu fazia estas coisas?
A chuva parou. Eu estava encharcada. O arco íris aparecia ao longe ao pé de umas casas. Eu adorava ver aquilo.
Cheguei a casa, e como era obvio a minha mãe começou a gritar comigo por ter apanhado uma molha. Eu estava mesmo molhada… da cabeça aos pés.
- Emily! Estás de castigo! Ainda bem que o voo é amanha. – Gritou-me. Fiquei chocada e não conseguia pronunciar nada. A minha irmã ria-se com cara de gozo. Ignorei-a como sempre.
A minha vida tinha acabado ali. Viver em Paris sem os meus amigos, sem a minha mãe ia ser difícil. Muito. Eu não queria. Não mesmo.
Fui fazer as malas irritada e enquanto isso chorava. Chorava de raiva, de tristeza e ódio.
Depois de por algumas coisas nas malas deitei-me na cama – eu ainda estava molhada – a ouvir Metal.
Sim, Metal era algo que me acalmava em vez de me irritar mais. Meti o volume no máximo. O tempo foi passando e a minha raiva e o meu ódio foram desaparecendo. O Metal é tipo o meu Yoga.
Por mais impossível que seja, adormeci. Se o Metal pode-me ser um bom relaxante por que não uma boa musica para dormir?
Depois de ter adormecido e dormido praticamente umas duas horas, acordei.
O meu telemóvel estava a vibrar. Atendi.
- Sim? – Disse ensonada.
- Emily William! – Porque é que não me contaste?
- O quê, Marie? – Fiz-me de desentendida.
- P-A-R-I-S. – Soletrou cada a palavra, letra por letra.
- Oh, desculpa… Eu ia contar-te. Eu não tenho culpa… - Senti-me triste – Eu não quero ir.
- Eu sei. Vou ter ai a casa. Quero estar contigo. Até já amor. – Desligou.
Fui rapidamente trocar de roupa, vesti umas calças de ganga justas mais um top justo azul. Calcei as sapatilhas e dei um jeito ao cabelo.
- Emily, estão aqui os teus amigos.- Avisou a minha mãe.
Amigos? – Pensei – Não era só a Marie?. Estranhei.
Disse-lhe para os mandar subir.
Logo percebi a palavra ‘amigos’. Era a Marie e o Eric. Claro! Eles agora andavam sempre juntos.
Eric pôs-se a olhar para a decoração do meu quarto. Era laranja e branco. Era fofo, modéstia à parte.
Marie sentou-se na minha cama, enquanto o Eric se sentou no puff e disse:
- Como estás?
- Hmm. – Pensei. – Perdida? Vou para lá contra a minha vontade. Vou ficar sem os meus amigos. Sinto-me perdida, é isso.
Talvez ela não me conseguisse responder. Então abraçou-me. Acho que foi o melhor abraço que recebi até hoje.
- Bem… - Largou-me e limpou os olhos, porque estava prestes a chorar. – Como hoje é o teu ultimo dia aqui vamos sair. Vamos a uma festa.
- O quê? Não posso. – Protestei - A minha mãe não deixa. Sabes que não sou de festas.
- Vamos! Já falei com a tua mãe ela deixou. Eric ajuda-me! – Sorriu.
- Vai ser divertido! – Sorriu-me.
- Oh pá, pronto… - Respondi-lhe sem vontade. – Sem Jason?
- Com Jason. Ele disse-nos o que se passou! – Sorriram.
- Oh! Eu não queria nada daquilo! A sério.
- O quê? Depois falamos melhor sobre essa historia – Levantou-se. – Eric, vai la preparar-te mais o … - olhou-me – E nos também nos vamos aprontar. Amo-te. – Beijou-o.
Ele saiu e ficamos sozinhas.
- Vou ali abaixo e volto já.
- Han? Marie? – Ela foi num ápice! E quando voltou trazia 1001 sacos! Oh meu deus.
Fiquei chocada.
- Tenho aqui umas roupas para experimentares. Toma, toma, toma, toma, e toma. – Encheu-me de roupa e mandou-me para a casa de banho.
Eu… pronto, lá cedi.
Vesti, despi. Vesti, despi. E assim sucessivamente. Até decidir que ia levar as calças de cabedal pretas com uma t-shirt branca mais umas sandálias.
Pronto, passado uma hora estávamos prontas. Os rapazes estavam estavam la em baixo no hall de entrada. Descemos e eu olhei o Jason, enquanto a Marie se atirava ao Eric. Ficamos a contemplar-nos um ao outro.
Voltei a mim e saímos da minha casa. O Eric decidiu ir a conduzir. A Marie ia a frente com ele, pois claro. Eu ia com o Jason atrás.
Até chegarmos a discoteca nem eu, nem ele falamos. Que tensão no ar!
Saimos do carro. Eu comecei a apreciar o local. Era uma grande discoteca. O som emitido pelas colunas podia ser ouvido á fora, no exterior. A noite estava linda. As estrelas estavam brilhantes e a lua em estado: lua cheia. Uma noite espectacular.
O que seria melhor que isto para passar a ultima noite na América?
Entramos na discoteca. A multidão dançava ao som da música. Vários corpos se mexiam e transpiravam devido ao imenso calor humano.
Sem saber o que fazer, dirigi-me ao bar. O barman era lindo! Era loiro, tinha cabelo curto. Olhos verdes. E notavam-se os músculos por baixo das suas roupas finas.
- Boas. Dá-me algo bom. – Sorri-lhe.
- Para já.
Trouxe-me algo esquisito. Mas era bom. Senti-me feliz. A minha visão estava turva agora, Via toda a gente duplicadamente. Queria sair dali. Comecei a tentar dirigir-me para a saída. Empurrava toda a gente, Vi a Marie e o Eric a dançarem.
Finalmente, vi a saída! Oh meu deus, estava a chover.
Senti-me a cair. Acabei por fechar os olhos. Cai no chão. Desmaiei ali e fiquei debaixo daquela chuva imensamente fria.
Quando acordei estava num quarto que me era familiar. O quarto do Jason.
Os olhos doíam-me e devido a claridade, pisquei inúmeras vezes. Tentei levantar-me mas não consegui. Estava ali sozinha.
De repente ouvi alguem a entrar. Olhei. Era o Jason.
- Estás melhor? – Notava a preocupação e a tristeza nos seus olhos.
- Acho que sim. – Respondi suspirando.
Tentei levantar-me outra vez. Ele ajudou-me. Levou-me à sala. Onde se encontravam o Eric e a Marie.
- Estás melhor? – Perguntaram-me ambos.
- Sim! Sim… - Pensei. – Que horas são?
- Três da tarde, porque?
- Oh meu deus! O voo é as 5h! Tenho de ir para casa. – Acho que despertei. – Marie, leva-me.
O Jason olhou-me com tristeza, mas eu precisava de ir. Se não fosse a minha mãe matava-me.
***
Estava no aeroporto com a minha estúpida irmã, mais a minha mãe – que não sabia de nada do que se tinha passado na noite.
Uma voz soou no ar: O voo para Paris partirá dentro de 20 minutos.
Fomos fazer o check in. Estava tudo pronto. Passei, ou melhor passamos pelo detector de metais e estávamos prontas para entrar no avião.
Entrámos e sentamo-nos ao pé de um senhor idoso.
O avião estava pronto para partir.
JASON
Ele estava bastante preocupado, sentado no sofá.
O Eric e a Marie apenas o olhavam sem nada para dizer.
Ele quebrou o silêncio.
- Vocês acham que o voo já partiu? São 5h.
- Tu gostas mesmo dela não gostas? Vai atrás dela! – Incentivou o Eric. A Marie sorriu.
- Eu vou! – Abraçou o Eric e saiu disparado.
Entrou no carro e acelerou velozmente para o aeroporto. Ele estava doido!
Será que ainda a apanho? – Pensou.
Tinha chegado ao aeroporto. Como uma barata tonta dirigiu-se a um dos balcões.
- Senhora! O avião para Paris já foi?
- Lamento, Há 10 minutos.
- Eu perdi-a. – Levou as mãos a cabeça.
- Desculpe?
- EU PERDI-A! –Gritou.
Contudo, será que a perdeu mesmo?